segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Já com saudades das férias... :)









Fazer as coisas de todos os dias sem pressa, com mais pormenor, com mais intenção, com mais consciência. Fazer as coisas que não se tem tempo de fazer nos outros dias, que são mais corridos. Tirar um tempo para sair, ainda que pouco que seja, sabe sempre a evasão. Desta vez, caminhar pela praia, receber a brisa marítima, jogar beach ball e sonhar com dias de quietude. E também receber o inesperado quando ele acontece, ainda que esse inesperado seja o mais comum da vida: a morte.
Todos devíamos de ir a um funeral, de tempos a tempos. De preferência de alguém distante, que a dor de perder alguém próximo é demasiado pesada para ser escrita assim com leviandade, claro.
Digo isto porque é de todo importante lembrarmo-nos que não somos nada nesta vida e que um dia, mais cedo ou mais tarde, vamos todos para o outro lado. E já agora, também é importante lembrarmo-nos de agradecer cada dia que permanecemos do lado de cá e fazer dele o melhor possível.
Não tinha qualquer ligação com a falecida, mas sim com o filho, um homem que admiro muito, pela sua bondade e espontaneidade. 
E admirei a serenidade diante do facto consumado da separação física da sua mãe. E admirei a pregação do padre católico. E admiro profundamente todos aqueles que são bondosamente sinceros diante de Deus, independentemente da sua denominação religiosa. Cada vez mais rejeito, dentro do meu coração, que haja fronteiras a respeitar entre os que não professam a mesma doutrina. Nem sei se doutrina é a palavra adequada. Já que, para Jesus, A Doutrina, é simplesmente o amor. E o amor não tem credo, cor nem medida. É, simplesmente. E cabe a cada um zelar o melhor possível pela parte que lhe compete. 
Admirei a simplicidade daquele padre, ao que ouvi, novo na paróquia. Com uma manchinha de cabelo branco na frente da cabeça, identifiquei-me de imediato com ele, já que tenho a minha cabeleira quase toda alva ;) Essencialmente, na sua pregação, aquele padre focou-se na vida, exaltando a vida que pertenceu àquela que jazia no meio da igreja, e a vida que a esperava no céu, com Deus. As suas palavras fizeram para mim todo o sentido. Mas creio que muitos dos presentes que as ouviram, não as receberam no coração. Digo isto diante do comentário de uma familiar que nos acompanhava: "E pronto, acaba-se tudo aqui..." Imediatamente lhe interrompi as reticências: "Não acaba nada! Não ouviste o padre? A vida continua depois da morte. Jesus veio para nos dar a vida eterna. Numa outra dimensão, um outro tipo de vida, mas agora é que começa!" Bem disse o padre que era preciso fé para compreender estas palavras...
Todos devíamos de ir um funeral de vez em quando. Muito importante para nos manter no nosso lugar e para, diante da presença da morte, termos um verdadeiro encontro de vida com Deus, através das palavras do Seu servo e da Palavra que Ele nos deixa.
Jesus disse: "Que tem ouvidos para ouvir, ouça".

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Responde rápido!






E se eu te pedisse para dizeres todas as coisas que amas, quanto tempo levaria para dizeres o teu nome?

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Férias...


Adoro o sentimento de quietude que se tem ao fim de um dia em que se conseguiram realizar tarefas pendentes, tornando-o num dia cheio e bem sucedido. Adoro a paz que se sente ao ter a cozinha a cheirar a limpo, os vidros lavados, e a promessa de limpeza de vasos e flores para o dia seguinte. Adoro o conforto de poder descansar calmamente no sofá à noite e inspirar-me pela parte fantástica do mundo da internet. Saber que ao meu lado descansa o cesto da manta de Outono, ainda por terminar e o cesto da roupa por remendar, tarefas domésticas que muito prezo mas que talvez guarde para serões maiores e mais frescos. Sabe bem saber que elas me aguardam, que não há pressas em terminar tarefas que têm o dom de apaziguar a minha alma por vezes cansada ou abatida. Por agora, resta-me gozar o tempo livre que as férias me oferecem. Geri-lo como melhor me convém, saboreando cada aventura com a minha carracinha, com a família, com os amigos, comigo mesma. Não tem sido fácil, mas tem sido possível, e isso por agora basta-me. 
Alternado com fases em que me apetece mudar de vida, deixar de ser quem sou, viver noutro lugar, abraçar um outro projecto, o mais sensato mesmo é abraçar o que me prende, é agradecer pela minha casa, pela minha varanda de brisas frescas, pelas minhas pessoas, pelo meu trabalho, pelo dia de hoje. Entretanto, enquanto a vida parece permanecer igual a todos os dias, vou enfeitando-a para a tornar mais bonita e fácil de abraçar. Que os dias possam correr assim, sem grandes dores, com muitos amores e sempre, mas sempre, com a presença do Pai, a quem quero conhecer mais e melhor, na certeza de que Ele me adoptou e me deu o nome de filha.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Bom dia!



« [Eu e a vida]
Sempre nos demos bem. Nunca disputámos brinquedos, nunca lhe gritei porque tinha fome, nunca lhe chorei porque arranhei o joelho, e jamais lhe pedi que se marcasse com um ponto final, porque sempre fui mulher de vírgulas.
 E lá íamos nós, eu e a vida, sempre seguras, sempre satisfeitas, sem nada a pôr nem a tirar. Ora a vida que me foi dada, deu-me a mim, também, muito do que tenho. Deu-me uma casa onde o chão se desenha em calçada, e os prédios se pintam em tons alegres que se preenchem do fado cantado com corpo e alma. Deu-me uma família que se alarga para além do sangue, dias azuis e mergulhos no mar, pastéis de nata, noites estreladas, bolas-de-berlim nas mãos, areia quente nos pés, pores do sol para acolher memórias, e manhãs de inverno para abraçar o dia. Mas acima de tudo, Quem me deu a vida, deu-me, também, a escolha de a fazer viver.»

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Quem tem amigos tem tudo




A tarde caía. Ventava imenso. O trabalho estava feito e era hora de descansar um pouco. Sempre que posso, aproveito para relaxar, criar boas memórias para mim própria. E a esplanada na zona ribeirinha convidava a sentar e a saborear uma bebida demorada. O vento continuava forte. Pousei a minha Country Living em cima da mesa e comecei a sonhar com um viver devagar que só quem procura a quietude pode usufruir. Na mesa em frente, um grupo familiar conversava animadamente. De várias faixas etárias, pressupus que alguns dos membros estivessem de férias e ali punham a conversa em dia. Na mesa ao lado, um casal, que supus ser de holandeses, conversava discretamente enquanto bebericavam a sua cerveja. E na outra mesa, um grupo de três mulheres que me fizeram ter orgulho na raça. Talvez todas com bem mais de 40, eram bonitas sem serem vistosas, cada uma com a sua especificidade e conversavam, concentradas umas nas outras e na conversa que desfiavam, como só as mulheres sabem fazer. Naquela mesa, o que vi foi aquilo que muitas vezes se lê por aí, que ir tomar café com uma amiga vale mais do que ir a um psicólogo e fica mais barato e outros pensamentos que tais. O que vi ali foi apoio, união, beleza enfim, tudo o que a amizade dá e a amizade traz. 
E eu ali, sozinha na minha mesa, na minha leitura, nos meus pensamentos, a observar com os olhos, mas a maior parte das vezes com o coração. 
Há quem deteste estar sozinho e considere um escândalo ir sozinho a um café. Eu adoro! Faz parte de mim e faz-me um bem danado!

sábado, 15 de julho de 2017

Bom fim de semana!









segunda-feira, 10 de julho de 2017

Não é fácil ser sim neste mundo não




A partir dos 40, muito muda... Depois dos 40, do meu ponto de vista, é a altura ideal para começar a fazer balanços. Porque já se viveu bastante e porque se pensa que ainda se tem outro bastante para viver. Porque já se viveram anos suficientes para aprender umas coisas e pôr em prática a sabedoria aprendida. É altura de dar importância às coisas verdadeiramente importantes da vida e deixar de lado aquilo que tira a energia, que não vale a pena e que não acrescenta nada aos dias. É altura de aprender a confiar e cada um terá o seu algo em que confiar - no meu caso, Deus - e prosseguir em fé e esperança. É altura de nos darmos valor e gostarmos daquilo em que nos tornámos, porque Deus, esse oleiro da vida, moldou-nos para sermos o que somos hoje, usando cada pedacinho de barro mais moldável ou mais duro, mas usando cada pedacinho para nos acrescentar e fazer crescer. Há quem fique deprimido com o passar do tempo. Há quem fique desgostoso com o processo de envelhecimento. Lido com muitas pessoas e sei do que falo. Mas não penso assim. Pelo contrário, tenho muito orgulho no passar do tempo e de poder usufruir do privilégio de passar por ele e aprender sempre algo novo todos os dias. E sei que, diante de todas as dificuldades da vida, há sempre uma base de sustentação que me faz permanecer a acreditar e a sorrir. Não é fácil. Claro que não. Há até quem me ache negativa, por vezes. É que, com os factos da vida, aprendi já que muitas vezes não é suficiente ser positivo, ou seja, acreditar sempre que as coisas vão melhorar. Mas há coisas que nunca vão melhorar! Isso é um facto. E diante dele, acreditar no contrário penso que não é inteligente. Ser positivo não é apenas acreditar que as coisas vão melhorar, é acreditar que NÓS podemos melhorar, independentemente das circunstâncias. E isso sim, é o verdadeiro desafio. Isso é ser sim neste mundo não. É acreditar que nada é por acaso, que tudo tem um propósito, que nós temos um propósito. E isso é lindo! É acreditar que muito do nosso mundo pode ruir, mas não somos atingidos de forma a cair, antes somos constrangidos a ficar de pé para a reconstrução. É acreditar que fazer exercício é excelente para manter o nosso corpo activo e ágil, ao invés de o fazer a olhar para as formas do corpo com ansiedade; é acreditar que amamos o que fazemos e de repente podemos ficar sem esse trabalho, mas haverá sempre alternativa; é acreditar que o ente querido que nos foi tirado foi para um lugar melhor e que nos deixou lições de vida que podemos aplicar na nossa própria até à hora do reencontro; é acreditar que somos suficientes em Deus e que temos dons para conhecer e pôr em prática, é acreditar que viver é mais do que existir, é acreditar muito mais além, que vale a pena cada minuto aqui, ainda que por momentos isso possa não parecer fazer sentido.